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Pré-natal: importância para a mulher, para o bebê e para a família

Ter uma gravidez saudável é a melhor maneira de garantir a saúde do futuro bebê, dos primeiros anos de vida à idade adulta. Os cuidados devem, inclusive, sempre que possível iniciar antes da concepção. Nesse caso, são conhecidos como cuidados preconcepcionais, enquanto o pré-natal se refere à atenção e orientações que a gestante recebe desde o início da gravidez.

As consultas do pré-natal são necessárias para acompanhar a saúde materna e fetal. Podem ajudar a prevenir complicações da mesma forma que orientam as mulheres sobre medidas importantes para proteger seu bebê e ter uma gravidez com tranquilidade e bem-estar.

No entanto, o pré-natal não é apenas uma série de consultas médicas; é uma estratégia abrangente, que aborda os aspectos físicos e psicossociais da gravidez. A saúde psicológica durante o período gestacional é fundamental para os bons resultados do parto, evitando, por exemplo, nascimentos prematuros ou mesmo outros problemas de maior gravidade.

Da mesma forma que há uma expectativa da família para a chegada de um novo membro, o envolvimento familiar durante a gravidez, especialmente dos companheiros, é determinante para o equilíbrio emocional da gestante.

Continue a leitura até o final e conheça tudo sobre o assunto. Confira!

Importância do pré-natal para a mulher e o futuro bebê

O pré-natal pode ser definido como um plano de saúde personalizado e adaptado às necessidades específicas de cada gestante. Abrange dos check-ups regulares, exames e orientação sobre escolhas de estilo de vida ao apoio emocional. Essa integração permite criar um ambiente adequado para o desenvolvimento intrauterino.

Os aspectos da assistência pré-natal são, portanto, multifacetados. A jornada normalmente começa com uma consulta inicial, em que o médico-obstetra reúne informações sobre a saúde e histórico clínico da mãe, incluindo gestações anteriores, histórico familiar dos pais, orientação nutricional, suplementação vitamínica, prática de exercícios físicos e imunização, bem como solicita exames para determinar o tempo de gravidez.

Nas consultas seguintes, além de verificar a saúde materna, são realizados exames de ultrassonografia específicos a cada trimestre para acompanhar desenvolvimento fetal.

O pré-natal segue um procedimento estruturado que engloba diversos elementos para garantir um apoio integral à mãe e ao feto em crescimento. Veja abaixo:

  • gerenciamento da saúde materna: o monitoramento da saúde materna engloba ações como a medida da pressão arterial e do peso, controle de condições médicas crônicas, de medicamentos, exames de rotina e acompanhamento emocional para salvaguardar a saúde da mulher durante todo o período gestacional;
  • detecção precoce de complicações: os exames regulares permitem identificar e solucionar e potenciais complicações desde o início, minimizando os riscos para a mãe e para o feto;
  • desenvolvimento fetal: os cuidados adequados do pré-natal garantem que o feto em desenvolvimento receba os nutrientes necessários e suporte para um crescimento ideal. Isso inclui o acompanhamento nutricional da mãe, administração de suplementos essenciais e realização de ultrassonografias regulares;
  • redução de riscos: o acompanhamento frequente da gravidez ajuda a identificar fatores de risco que podem contribuir para o parto prematuro e problemas maternos como a pré-eclâmpsia ou o diabetes gestacional, permitindo intervenções para reduzir as chances, bem como a identificação precoce de doenças fetais, que, em muitos casos, podem ser tratadas ainda durante o desenvolvimento intrauterino;
  • preparação para o trabalho de parto e nascimento do bebê: a orientação para os futuros pais durante os cuidados do pré-natal possibilita desenvolver as competências necessárias para um trabalho de parto mais tranquilo, o que inclui das técnicas de gestão da dor à escolha do tipo de parto e cuidados pós-parto, no puerpério, fase em que ainda existem riscos associados à saúde materna, além de orientações sobre o processo de amamentação.

Manter a frequência das consultas do pré-natal de acordo com a determinação do médico-obstetra, pode, portanto, evitar o desenvolvimento de condições potencialmente perigosas para a mãe ou feto, e, consequentemente, diminuir os percentuais de morbidade e mortalidade materno-fetal.

Importância do pré-natal para a família

As recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma experiência positiva na gravidez incluem normalmente o envolvimento do pai, medidas de apoio social e a participação da família, o que abrange aconselhamento, apoio, assistência durante o pré-natal, na preparação para o parto e no puerpério ou pós-parto.

O envolvimento dos parceiros durante a gravidez reduz as taxas de parto prematuro e de mortalidade infantil, por exemplo. Além disso, as futuras mães têm mais chances de receber cuidados médicos adequados e de abandonar hábitos como o tabagismo, prejudicial para o desenvolvimento fetal e saúde do futuro bebê.

Os pais ou parceiros também podem ajudar nas aulas de parto; com técnicas de respiração e posicionamento durante o trabalho de parto, na amamentação, nos cuidados noturnos do bebê, na escolha do pediatra e acompanhamento às consultas pediátricas.

Enquanto espera a chegada do bebê, por sua vez, a participação da família envolve desde o apoio emocional durante a gravidez, ajuda na escolha do enxoval e criação de um espaço adequado para recebê-lo à percepção de sinais de depressão pós-parto da mãe.

As alterações hormonais somadas aos ajustes necessários à chegada do bebê, como adaptação à nova rotina e os distúrbios do sono, contribuem para despertar um sentimento de melancolia, clinicamente conhecido como baby blues.

Ainda que o baby blues seja comum após o parto, com períodos de tristeza e crises de choro, é fundamental a atenção quando os sintomas se intensificam e duram mais de  30 dias. A depressão pós-parto também é um transtorno comum depois do nascimento do bebê, principalmente se houver histórico pessoal ou familiar.

Assim, tanto o pai quanto o conjunto familiar, o que inclui parentes maternos e paternos, têm um papel essencial na gravidez e pós-parto para garantir a saúde e bem-estar da mãe e do bebê.

Siga o link para conhecer mais sobre o pré-natal e problemas materno-fetais que podem ser evitados quando a gravidez é adequadamente acompanhada!

Como acontece o ciclo menstrual? Por que é importante saber?

Durante o desenvolvimento intrauterino, são formados os principais órgãos reprodutores das mulheres: ovários, tubas uterinas e útero, bem como os folículos ovarianos, estruturas que contêm o óvulo imaturo, gameta ou célula sexual com as informações genéticas transmitidas aos filhos.

Assim, as mulheres já nascem com um estoque de folículos presentes nos ovários, cuja denominação clínica é reserva ovariana. Na puberdade, quando acontece a primeira menstruação esse estoque de folículos passa a ser utilizado, ou seja, tornam-se aptas a engravidar.

Os folículos são usados no ciclo menstrual e a menstruação marca o início e fim desse processo. Continue a leitura até o final para saber o que é ciclo menstrual e conhecer sua importância. Confira!

O que é ciclo menstrual e como ele acontece?

Ciclo menstrual ou reprodutivo é o processo em que diferentes alterações fisiológicas preparam o corpo feminino para uma possível gravidez. Ocorre continuamente entre a puberdade e a menopausa, quando a última menstruação anuncia o fim do estoque de folículos, ou seja, a mulher já não pode mais engravidar.

Dividido em três fases, começa no primeiro dia da menstruação e se encerra no anterior à próxima. É coordenado por diferentes hormônios orientados pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovários (HHO), que estabelece um tipo de comunicação estimulando a secreção e/ou diminuição da liberação de determinado hormônio, mantendo, assim, os níveis sempre em equilíbrio.

Veja abaixo o que acontece em cada uma:

1ª fase do ciclo menstrual

A primeira fase do ciclo menstrual é chamada folicular. Logo no início, o hipotálamo, região localizada no centro do sistema nervoso, secreta o GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) motivando a liberação pela hipófise, glândula localizada na base do cérebro, das gonadotrofinas FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante).

FSH e LH viajam pela corrente sanguínea até os ovários. O FSH promove o recrutamento e crescimento de vários folículos, enquanto o LH induz o folículo dominante, que se destaca entre eles, ao amadurecimento, estimulando, ao mesmo tempo, as células da teca, que compõem a parte externa, a produzir testosterona convertida pelo FSH em estrogênio, hormônio que inicia o espessamento do endométrio, camada interna uterina.

2ª fase do ciclo menstrual

A segunda fase é conhecida como ovulatória, quando o folículo dominante atinge o auge do amadurecimento. Os níveis elevados de estrogênio levam ao aumento da concentração de LH, que funciona como um gatilho induzindo-o ao rompimento para liberação do seu óvulo, também maduro na ovulação.

O óvulo é captado pelas tubas uterinas, órgãos em que a fecundação acontece e tem sobrevida de 24h, período em que pode ser fecundado pelo espermatozoide para originar a primeira célula do embrião.

3ª fase do ciclo menstrual

Na terceira e última fase, a lútea, as células resquiciais do folículo rompido se transformam em uma glândula temporária, o corpo-lúteo, cuja função é secretar progesterona, hormônio que finaliza o preparo endometrial estratificando o processo iniciado pelo estrogênio, tornando o endométrio receptivo para receber o embrião formado na fecundação, que inicia o desenvolvimento ainda nas tubas uterinas enquanto é transportado ao útero.

O embrião chega ao útero aproximadamente no quinto dia de desenvolvimento e se fixa ao endométrio para dar início a gravidez. Na oitava semana passa a ser denominado feto, nomenclatura que recebe até o nascimento.

É durante o ciclo menstrual, portanto, que ocorrem as principais etapas da gravidez e o funcionamento correto de cada uma é essencial para o sucesso.

Por que é importante saber sobre o ciclo menstrual?

Além de determinar a idade fértil das mulheres, o ciclo menstrual pode sinalizar diferentes aspectos, por isso é fundamental conhecer o seu funcionamento.

Observar, por exemplo, a fase de ovulação, período de maior fertilidade, pode aumentar as chances de engravidar ou mesmo impedir uma gravidez indesejada. O período fértil considera o tempo de sobrevida do óvulo, 24h, e dos espermatozoides, que podem sobreviver por até 72 horas no organismo feminino. Assim, está localizado entre os três dias que antecedem a ovulação e o seguinte.

O ciclo menstrual regular geralmente tem a duração de 28 dias com variações de 21 ou 32 dias, porém sempre no mesmo intervalo. A fase ovulatória fica situada na metade. E, além do cálculo que pode ser feito subtraindo 3 dias e adicionado 1 à data provável da liberação do óvulo, o corpo também apresenta alguns sinais, como o inchaço e aumento da sensibilidade das mamas ou variações do muco cervical, que se torna mais elástico com a aparência semelhante à da clara de ovo.

No entanto, saber sobre o ciclo menstrual é importante também para avaliar a fertilidade. Irregularidades menstruais, como ciclos mais longos do que o normal, aumento, diminuição ou ausência de menstruação podem sinalizar condições que interferem na capacidade reprodutiva das mulheres, comuns durante a idade reprodutiva, indicando quadros de infertilidade. Por isso, é fundamental manter a regularidade das consultas ginecológicas.

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DIU Mirena e DIU Kyleena: os inúmeros benefícios desse método contraceptivo

A única forma de prevenir uma gravidez indesejada é o uso de métodos contraceptivos. Alguns, entretanto, têm um grande percentual de falha, enquanto outros se destacam por sua alta eficácia, quase 100%. O DIU, dispositivo intrauterino, é um dos principais representantes dessa categoria, uma vez que outros benefícios somam-se à essa qualidade.

Embora o DIU já esteja disponível há muitas décadas, sua utilização era limitada por diferentes fatores, o que incluía, nesse caso, as chances de falha, bem como as de ocorrerem infecções, além de ser pouco acessível.

Todos esses fatores foram corrigidos com o tempo e hoje o DIU é considerado é o método de controle de natalidade mais popular no mundo. Entre os tipos disponíveis estão o de cobre, o com fio de prata e o hormonal, que costuma, nesse caso, ser o mais indicado pelos especialistas.

O DIU Mirena e o DIU Kyleena são dispositivos intrauterinos hormonais, ou seja, liberam hormônios para impedir a gravidez. Continue a leitura até o final para conhecer os inúmeros benefícios desse método contraceptivo. Confira!

DIU Mirena e DIU Kyleena

O DIU Mirena e o DIU Kyleena liberam diariamente pequenas doses de levonorgestrel, hormônio sintético semelhante à progesterona, um dos principais hormônios femininos cuja ação durante os ciclos menstruais é essencial para o sucesso e manutenção da gravidez.

Ambos atuam de forma semelhante na prevenção da gravidez. Inibem o espessamento do endométrio, tecido de revestimento interno do útero no qual o embrião formado na fecundação se implanta, processo que marca o início da gestação; provocam o espessamento do muco cervical impedindo, assim, a passagem dos espermatozoides e diminuem a motilidade das tubas uterinas, órgãos que abrigam a fecundação e são responsáveis pelo transporte dos gametas, óvulos e espermatozoides para esse evento acontecer.

Dessa forma, não há fecundação, quando o óvulo e o espermatozoides se fundem gerando a célula primordial do embrião, ou ele não se implanta.

Apesar de atuarem de maneira semelhante, o DIU Mirena e o DIU Kyleena têm alguns diferenciais, mesmo que também tenham em comum benefícios importantes: são de longa duração, reversíveis, a eficácia é de 99% e podem ser usados por mulheres que estão amamentando.

Isso significa que depois da colocação a mulher não precisa mais se preocupar, pois as chances de engravidar são inexpressivas e quando houver o desejo de ter filhos eles podem ser removidos sem nenhum prejuízo para a fertilidade.

Veja abaixo os outros benefícios de cada um:

DIU Mirena

  • tempo de duração: o DIU Mirena dura entre 6 anos e 7 anos. Depois desse intervalo, se ainda não houver o desejo de ter filhos, deve ser substituído. O DIU Kyleena, por sua vez, tem uma duração menor, de 5 anos;
  • suspensão da menstruação: a maioria das mulheres que usam o DIU Mirena experimentam a suspensão da menstruação. Por isso, geralmente é o mais indicado às que têm sintomas mais severos durante o período menstrual, incluindo cólicas intensas e TPM, tensão pré-menstrual, condição caracterizada por alterações de humor, depressão e fadiga extrema;
  • alivia sintomas de endometriose: por promover a suspensão da menstruação, o DIU Mirena proporciona o alívio de sintomas da endometriose como a dor pélvica crônica, o mais marcante dessa doença.

DIU Kyleena

  • tamanho: ainda que ambos tenham o formato de T com um braço de cada lado e um fio na parte inferior que desce até o colo do útero e a vagina, o DIU Kyleena tem dimensões menores, 30 mm de comprimento, 28 mm de largura e 1,9 mm de espessura, o que facilita a colocação, enquanto o DIU Mirena tem 32 mm de comprimento, 32 mm de largura e 1,55 mm de espessura;
  • quantidade e liberação de levonorgestrel: o DIU Kyleena libera aproximadamente 9 mcg de levonorgestrel por dia e o DIU Mirena cerca de 15 mcg. Mesmo que a quantidade não interfira na eficácia, pode ajudar em situações como a amamentação.

Entre os possíveis efeitos colaterais provocados pelo DIU Mirena e o DIU Kaleena o mais comum é o sangramento que acontece fora do período menstrual, no entanto ele dura pouco tempo, no máximo 6 meses. Atualmente, praticamente já não há risco de infecção, bem como outros associados ao uso do DIU hormonal, como a formação de cistos ovarianos e gravidez ectópica, quando o embrião se implanta em uma das tubas uterinas em vez do útero.

Por esses benefícios, o DIU Mirena e o DIU Kyleena se tornaram uma das principais opções das mulheres que pretendem adiar os planos de maternidade, inclusive quando comparados a outros métodos hormonais como as pílulas anticoncepcionais, que apesar da popularidade devem ser tomadas diariamente para prevenir a gravidez.

No entanto, a escolha do método contraceptivo mais adequado para cada paciente, incluindo a opção entre o DIU Mirena e o DIU Kyleena, deve ser feita com auxílio de um especialista, pois considera diferentes fatores, entre eles a ocorrência de possíveis doenças que impeçam o uso de hormônios.

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Cuidados preconcepcionais: saiba como se preparar para a gravidez

É comum que os cuidados preconcepcionais sejam confundidos com o pré-natal, consultas realizadas em todos os trimestres da gravidez para acompanhar o desenvolvimento da gestação, a saúde da mãe e do seu futuro bebê.

Embora ambos tenham como objetivo evitar possíveis complicações durante o período gestacional, são diferentes. Os cuidados preconcepcionais são aqueles realizados antes mesmo das tentativas para engravidar.

Planejar a família é um passo bastante importante e envolve diferentes aspectos, da saúde geral e reprodutiva aos fatores ambientais e psicossociais.

Riscos modificáveis, por exemplo, incluindo o tabagismo e o consumo excessivo de álcool durante o período preconcepção, têm impacto na saúde reprodutiva das mulheres e dos homens e na qualidade dos gametas ou células reprodutivas, espermatozoides e óvulos que carregam as informações genéticas dos pais transmitidas às futuras gerações.

Nos últimos anos, tem havido um reconhecimento crescente da importância dos cuidados preconcepcionais na prevenção de doenças neonatais e do nascimento, que têm uma carga global bastante significativa, afetando aproximadamente 2,4 milhões de bebês anualmente.

Além disso, entre as possíveis complicações que podem acontecer durante a gravidez estão os distúrbios relacionados ao feto; muitos podem ser prevenidos com os cuidados preconcepcionais adequados.

Ainda que todas as pessoas que pretendem engravidar devam ter atenção aos cuidados preconcepcionais, eles são particularmente necessários para as mulheres, uma vez que é no organismo feminino que ocorrem as principais etapas da gravidez. Principalmente as já diagnosticadas com algumas condições, como obesidade, hipertensão, diabetes e outras crónicas, as que tiveram problemas em gestações anteriores ou planejam ter o primeiro filho.

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Cuidados preconcepcionais

Os cuidados preconcepcionais ou anteriores à concepção são definidos como um conjunto de intervenções destinadas a identificar e modificar riscos biomédicos, comportamentais e sociais em mulheres em idade reprodutiva.

O objetivo é melhorar os resultados da gravidez e a saúde em geral por meio da prevenção de doenças e da gestão dos fatores de risco que afetam o binômio materno-fetal.

O estado de saúde de ambos os pais no momento da concepção pode influenciar significativamente o desenvolvimento e a saúde do feto. Os cuidados preconcepcionais permitem criar um ambiente favorável para a concepção, implantação e desenvolvimento embrionário.

Vários processos fisiológicos são essenciais para o desenvolvimento de um embrião durante o período preconcepção, eventos que ocorrem antes de a mulher saber que está grávida podem ter um impacto significativo no crescimento fetal e no resultado da gravidez, incluindo estágios importantes de formação de órgãos e crescimento que ocorrem no início, muitas vezes antes mesmo de a mulher perceber que está grávida.

Os cuidados preconcepcionais contribuem para mitigar riscos e promover o desenvolvimento saudável desde os estágios iniciais.

Conheça os principais cuidados preconcepcionais:

  • intervenções nutricionais e suplementação: as intervenções nutricionais e a suplementação têm um papel fundamental nos cuidados preconcepcionais. A nutrição adequada antes da concepção, incluindo a suplementação de ácido fólico, reduz as chances de malformações fetais, especialmente os defeitos abertos do tubo neural, importante para o desenvolvimento do sistema nervoso central do bebê, e outras deficiências congênitas. Uma dieta balanceada, rica em nutrientes essenciais, como ferro e cálcio, é necessária para apoiar a saúde materna e fetal;
  • mudanças no estilo de vida e de comportamento: parar de fumar, reduzir o consumo de álcool e evitar o uso de drogas recreativas estão entre as ações que podem diminuir significativamente o risco de resultados adversos na gravidez. A prática regular de exercícios físicos é igualmente importante; manter um peso saudável também ajuda a reduzir o risco de complicações durante o período gestacional;
  • rastreio e gestão de condições médicas pré-existentes: identificar e controlar condições como diabetes, hipertensão e distúrbios da tireoide antes da concepção pode minimizar os riscos para a mãe e para o feto, o que envolve, inclusive, a otimização dos regimes de medicação;
  • rastreio genético: o rastreio genético permite identificar distúrbios que podem ser transmitidos aos filhos, permitindo escolhas reprodutivas;
  • imunizações e prevenção de doenças infecciosas: é importante estar em dia com as vacinas recomendadas, como rubéola e hepatite B, que protegem contra infecções que podem representar riscos durante a gravidez. A prevenção e manejo de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) é igualmente necessária, pois além de proteger a saúde materna e fetal evitam interferências na capacidade reprodutiva;
  • apoio psicossocial e saúde mental: o apoio psicossocial e a abordagem da saúde mental também são aspectos essenciais nos cuidados preconcepcionais reduzindo o risco de resultados adversos na gravidez. O apoio e encaminhamentos apropriados podem ajudar a controlar o estresse, a ansiedade ou a depressão, contribuindo de forma mais ampla para uma melhor saúde reprodutiva geral. Os transtornos de humor e de ansiedade são prevalentes entre pessoas em idade reprodutiva e há uma alta incidência de novas doenças psiquiátricas ou de recaída de uma pré-existente durante a gravidez. O controle durante o período preconcepção pode ajudar a prevenir resultados adversos no intraparto ou pós-parto.

Os cuidados preconcepcionais ajudam, portanto, a evitar efeitos adversos na gravidez, como a pré-eclâmpsia, que pode evoluir para eclâmpsia, condição potencialmente perigosa para a mulher ou o diabetes gestacional, reduzem as chances de ocorrer abortamento espontâneo, nascimento prematuro e bebês nascidos mortos, de problemas intrauterinos, neonatais ou congênitos e, consequentemente, os percentuais de morbidade e mortalidade materno-fetal.

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Amamentação: veja como se preparar para esse momento tão especial

Além da aumentar a conexão entre a mãe e seu bebê, os efeitos da amamentação sobre a saúde já são bem conhecidos. O leite materno é exclusivamente adequado às necessidades nutricionais do recém-nascido; é uma substância viva com propriedades imunológicas e anti-inflamatórias que protegem contra diversas condições.

Fornece toda a energia e nutrientes que o bebê necessita durante os primeiros meses de vida e continua a suprir boa parte das necessidades nutricionais durante a segunda metade do primeiro ano e até um terço do segundo.

As crianças amamentadas têm melhor desempenho cognitivo, pois o leite materno pode fazer uma grande diferença no desenvolvimento e maturação do cérebro e do sistema nervoso central, têm menos probabilidade de sobrepeso ou obesidade e são menos propensas ao desenvolvimento de condições como o diabetes. As mulheres que amamentam também têm um risco reduzido de câncer de mama e de ovário.

Durante a amamentação, anticorpos e outros fatores de proteção são transmitidos da mãe para o bebê fortalecendo o sistema imunológico. Isso ajuda a diminuir as chances de contrair muitas infecções, incluindo:

A amamentação pode proteger ainda os bebês contra alergias e asma, além da síndrome da morte súbita infantil (SMSL).

Apesar de todos esses benefícios serem amplamente reconhecidos a amamentação não é uma tarefa fácil, principalmente quando é o primeiro filho. Além disso, ainda existem muitas dúvidas e mitos em torno da prática, da posição adequada e tempo necessário à quantidade e qualidade do leite, interferências de aspectos como o tamanho dos seios ou alterações estéticas e, particularmente, sobre a amamentação causar dor.

Continue a leitura até o final, saiba mais sobre a amamentação e veja como se preparar apara esse momento tão especial. Confira!

Amamentação

Os órgãos de saúde orientam a amamentação durante pelo menos os seis meses iniciais de vida do bebê e, idealmente, até um ano, com acréscimo de suplementos depois do primeiro semestre.

A produção do primeiro leite, chamado colostro, ocorre logo após o nascimento. Ele é mais espesso, amarelado e em menor quantidade, contudo possui os nutrientes necessários para o bebê e é essencial para reforçar o sistema imunológico, bem como prepara seu organismo para digestão do leite materno.

Quase todas as mães produzem a quantidade certa de leite para os seus bebês, com qualidade, independentemente do tamanho dos seios ou mamilos. A produção é determinada pela forma como ele segura o seio, suga o leite, pela frequência da amamentação e aumenta à medida que ele amamenta, por isso é importante que esse seja seu único alimento durante o primeiro semestre, uma vez que qualquer suplementação pode reduzir a quantidade.

Além disso, amamentar não causa flacidez nos seios. Geralmente isso acontece como consequência das flutuações hormonais e de peso durante a gravidez; o envelhecimento e a genética também influenciam.

Por outro lado, embora a amamentação não deva ser dolorosa é comum que os seios e mamilos fiquem doloridos e sensíveis por alguns dias enquanto o corpo se ajusta. A amamentação exige prática e os primeiros dias podem ser um desafio, porém é um dos momentos mais importantes para reforçar o laço afetivo entre mãe e filho. Veja a seguir como se preparar para esse momento tão especial.

Como se preparar para amamentação?

Normalmente, o ginecologista-obstetra responsável pelo pré-natal orienta sobre a amamentação no último trimestre da gravidez. Logo após o nascimento o contato pele com pele também é estimulado. Conhecido como cuidado mãe-canguru, vai ajudar a estabelecer a amamentação e é igualmente necessário para criar um vínculo de segurança com o bebê, facilitando o processo no futuro.

Por outro lado, ainda que o reflexo de procurar o seio materno ocorra instintivamente desde o nascimento, muitas mães precisam de orientação e/ou ajuda para posicioná-lo corretamente. A maneira correta garante que ele receba leite suficiente e o processo de amamentação não provoque dores.

Para o bebê conseguir sugar o leite materno, seus lábios devem estar posicionados ao redor do mamilo; no momento em que ele o leva à boca, trava para amamentar. Isso é conhecido como técnica da ‘trava’ e todo o mamilo, bem como a maior parte da aréola, pele ao redor dele devem ficar dentro da boca.

O posicionamento inadequado, por sua vez, é considerado um dos problemas mais comuns da amamentação, assim, sempre que possível é importante contar com essa orientação antes de iniciar o processo.

Também é importante adaptar um ambiente tranquilo em casa para amamentar. Optar pelo uso de móveis como a poltrona, que oferecem maior conforto e permitem manter as costas retas pode ajudar bastante, uma vez que nas primeiras semanas a recomendação é de que o processo ocorra de oito a doze vezes a cada 24 h, o que pode ser cansativo.

A melhor posição para amamentar, entretanto, é a que não exige nenhum tipo de esforço, ou seja, a mais confortável para a mãe e bebê. Entre as possibilidades, a mais comum é apoiar a lateral da cabeça do bebê na dobra do cotovelo e posicionar sua barriga contra o corpo, o que pode ser feito inclusive deitada para alimentação noturna.

Relaxar durante a amamentação é fundamental para o bebê se alimentar com calma e para continuidade da produção de leite. Normalmente, cada mamada dura entre 10 e 20 minutos por mama.

Muitas mães sentem desconforto nos primeiros dias de amamentação, os mamilos podem ficar sensíveis e doloridos. Contudo, intervenções podem ser necessárias se a dor persistir por mais de uma semana e os mamilos estiverem machucados.

Na maioria das vezes a dor é consequência do posicionamento inadequado do bebê, outras causas incluem mamilos curtos, planos ou invertidos, disfunções orais do bebê como sucção não nutritiva prolongada, uso de bombas de extração de leite, interrupção da sucção, uso de cremes, óleos ou protetores que causam reações alérgicas e exposição a ambientes úmidos.

Se a dor for mais intensa e os machucados demorarem a cicatrizar existem técnicas que podem auxiliar. A laserterapia, por exemplo, tem ações anti-inflamatórias, analgésicas e cicatrizantes, que auxiliam no tratamento de traumas mamilares sem comprometer a amamentação ou a qualidade do leite.

Outros problemas também podem surgir durante o processo, como o ingurgitamento mamário, popularmente conhecido como leite empedrado, inflamação da mama ou mastite aguda puerperal e ductos de leite entupidos, que ocorrem quando os seios não são completamente esvaziados de maneira regular.

Nesses casos, é importante consultar o ginecologista-obstetra para definir a melhor conduta de tratamento sem prejudicar a alimentação ou saúde do bebê.

Com os cuidados adequados, além de a amamentação ser um processo prazeroso e um momento especial, queima calorias, contribuindo para perder mais rapidamente o peso extra adquirido durante a gravidez, libera hormônios importantes para o útero retornar ao tamanho pré-gravídico, ajuda a reduzir o sangramento uterino após o nascimento, o risco de câncer de mama, ovários ou de osteoporose e ainda tem um efeito anticoncepcional.

Quanto a parar de amamentar, essa é uma decisão pessoal e varia de acordo com os costumes e escolhas individuais. No entanto, o tempo mínimo recomendado pelos especialistas deve, preferencialmente, ser sempre considerado.

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Suplementação de vitaminas durante a gestação: veja a importância

Durante a gestação, o corpo feminino passa por diferentes alterações fisiológicas e a mulher precisa de mais energia para suprir suas necessidades e do feto em desenvolvimento, que aumentam à medida que ele se desenvolve.

O feto se alimenta pela troca de nutrientes com a mãe, que ocorre pela corrente sanguínea. Assim, uma dieta equilibrada no período gestacional é essencial para garantir uma gravidez saudável para mãe e seu futuro bebê. Isso significa que ela deve conter os nutrientes necessários, incluindo as vitaminas, substâncias orgânicas que auxiliam no metabolismo celular.

Ainda que muitas vezes uma alimentação balanceada possa garantir esses nutrientes, a suplementação de vitaminas durante a gestação pode compensar possíveis deficiências ou mesmo reforçar a ação daquelas obtidas em menor quantidade pelos alimentos. Algumas são, inclusive, essenciais e prescritas para todas as gestantes, como é o caso do ácido-fólico.

Durante o pré-natal, o ginecologista-obstetra orienta sobre a dieta adequada e suplementação das vitaminas necessárias para cada paciente a partir dos resultado dos exames inicialmente realizados.

O acompanhamento da gestante é feito nas consultas pré-natal, o que inclui a observação nutricional, medida da pressão arterial e peso, bem como a realização de exames que avaliam a saúde materna e do feto em desenvolvimento. Manter a regularidade, portanto, é fundamental para evitar possíveis complicações, que nem sempre podem ser previstas.

Deficiências nutricionais durante o período gestacional, por exemplo, aumentam o risco de malformações fetais, abortamento, parto prematuro, baixo peso ao nascer e defeitos congênitos, bem como o bebê pode desenvolver doenças crônicas no futuro.

Continue a leitura até o final e veja a importância da suplementação de vitaminas durante a gestação. Confira!

Conheça os nutrientes mais importantes durante a gestação

É recomendado às mulheres que planejam engravidar iniciar o acompanhamento com o ginecologista-obstetra pelo menos três meses antes da concepção, o que é conhecido como consulta preconcepcional.

Além da confirmação da saúde reprodutiva, é comum que no período preconcepção os médicos orientem a ingestão de uma quantidade maior de vitaminas, o que é feito principalmente a partir da introdução de alguns alimentos na dieta alimentar e por suplementação quando exames já indicam deficiências. Se a gestação não foi planejada, por outro lado, a suplementação de vitaminas acontece logo no início.

O ácido fólico, por exemplo, deve idealmente ser administrado antes da concepção ou desde o primeiro mês da gravidez até o final do primeiro trimestre. É uma vitamina do complexo B, necessária para a formação de algumas proteínas estruturais e hemoglobina, que ajuda a prevenir malformações fetais, especialmente os defeitos abertos do tubo neural, importante para o desenvolvimento do sistema nervoso central do bebê, como a mielomeningocele.

O tubo neural começa a se formar no primeiro mês, por isso o quanto antes o ácido-fólico é administrado maior é a prevenção. Essa substância contribui ainda para prevenir outras condições, incluindo doenças cardíacas e anemia materna, bem como diminui o risco de pré-eclâmpsia e auxilia na formação da placenta e desenvolvimento do DNA.

A vitamina D também faz parte das que se tornaram essenciais na suplementação de vitaminas durante a gestação e deve ser administrada desde o início. Isso porque, ajuda a regular o sistema imunológico, evitando, dessa forma, que anticorpos reconheçam o embrião como o invasor levando ao abortamento; bem como facilita a absorção de cálcio e fosfato, elementos essenciais para o desenvolvimento ósseo e dentição do bebê.

Outros nutrientes necessários para garantir que o período gestacional seja saudável e que podem fazer parte da suplementação de vitaminas durante a gestação incluem:

  • vitamina C: ajuda a prevenir pré-eclâmpsia, parto prematuro e danos no sistema cognitivo;
  • vitamina E: ajuda a prevenir pré-eclâmpsia, retardo no crescimento fetal e condições como asma;
  • vitamina K: necessária para o desenvolvimento saudável dos ossos e formação de proteínas no fígado, bem como desempenha um papel na coagulação sanguínea, por isso, além de administrada durante o período gestacional se houver deficiência é fundamental logo após o parto, quando há maior risco de hemorragia puerperal;
  • ferro: necessário para suportar o aumento do volume sanguíneo e reduzir o risco de anemia;
  • zinco: ajuda a diminuir o risco de abortamento, retardo no crescimento fetal, nascimento prematuro, pré-eclâmpsia e danos imunológicos;
  • ômega 3: ajuda no desenvolvimento do cérebro, do sistema nervoso central e na saúde cardíaca do bebê.

Assim, quando feita adequadamente a suplementação de vitaminas durante a gestação pode evitar diferentes complicações que comprometem a saúde materno-fetal.

A pré-eclâmpsia, por exemplo, condição caracterizada pelo aumento da pressão arterial, pode evoluir para eclâmpsia, uma das principais causas de morbidade e mortalidade materna.

Já a mielomeningocele, nome dado à falha no fechamento do tubo neural, estrutura que origina a medula e o cérebro no embrião, resulta na exposição da medula, raízes nervosas e meninges do bebê, com consequências como déficit de aprendizado, dificuldade ou impossibilidade de caminhar e incontinência urinária.

No entanto, é importante reforçar que a suplementação de vitaminas durante a gestação deve sempre ser feita com a orientação do ginecologista-obstetra. Enquanto níveis adequados ajudam a evitar diversos problemas o excesso pode, ao contrário, prejudicar bastante a saúde da mãe e do seu bebê.

Siga o link e saiba mais sobre a suplementação de vitaminas durante a gestação!

Como é feita a contracepção no pós-parto? Quais são as possibilidades?

O uso de métodos contraceptivos não é indicado apenas para o controle da natalidade e planejamento familiar, ou seja, evitar uma gravidez indesejada em determinado momento; também é essencial para impedir as que ocorrem em intervalos curtos, que representam riscos para a mãe e seu futuro bebê.

O intervalo entre gestações, tempo desde o nascimento ou interrupção até a concepção da próxima, é identificado como um fator de risco potencialmente modificável relacionado a resultados perinatais adversos.

Segundo estudos, as mortes perinatais, por exemplo, diminuíram em todo o mundo com a contracepção no pós-parto. São definidas como mortes fetais que ocorrem após 28 semanas de gestação (natimortos) e mortes entre nascidos vivos nos primeiros 7 dias de vida (mortes neonatais precoces).

Além disso, o intervalo entre as gestações pode interferir em resultados como ruptura prematura de membranas (bolsa amniótica), pré-eclâmpsia, baixo peso ao nascer, parto prematuro e bebês pequenos para a idade gestacional.

Assim, a contracepção no pós-parto é fundamental, porém deve ser feita com a orientação do especialista, uma vez que nem todo método contraceptivo é adequado durante esse período. Alguns podem causar efeitos na qualidade e quantidade do leite materno, o que os torna contraindicados na fase de lactação.

Por isso, manter a regularidade das consultas ao ginecologista-obstetra após o nascimento do bebê é tão importante quanto o pré-natal. Além de evitar complicações que podem ocorrer, o método contraceptivo prescrito deve ser eficaz e seguro para a mãe e seu bebê. Isso significa não interferir na lactação ou alterar o sistema hemostático, pois entre os prováveis riscos está ainda o de hemorragia pós-parto, que é bastante alto.

Acompanhe o texto até o final para entender como é feita a contracepção no pós-parto e quais as possibilidades. Confira!

Pós-parto ou puerpério

Pós-parto ou puerpério é o intervalo que inicia mediatamente após o nascimento e expulsão da placenta até a completa recuperação fisiológica dos diversos sistemas orgânicos, quando as alterações maternas relacionadas à gestação retornam ao estado não gravídico.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para evitar e reduzir qualquer tipo de complicação materna e neonatal no período o acompanhamento da mulher pelo ginecologista-obstetra deve ser feitor desde o início e por pelo menos seis meses após o nascimento.

O puerpério dura geralmente cerca de seis semanas, embora isso possa variar, e, se encerra quando a mulher tem a primeira menstruação marcando a retomada dos ciclos menstruais. No entanto, estudos sugerem que para uma nova gravidez ocorrer com segurança a espera deve ser de pelo menos dezoito meses, intervalo mínimo necessário ao restabelecimento total do organismo. Intervalos menores entre as gestações aumentam as chances de complicações.

Mulheres que estão amamentando, por outro lado, têm menor risco de engravidar durante esse intervalo. Além dos benefícios para o feto, a lactação nas que não menstruaram é um método de contracepção no pós-parto bastante eficaz e costuma ser a primeira indicação dos especialistas.

Conhecido como amenorreia lactacional (LAM), se baseia no fato de que a própria lactação tem um efeito anticoncepcional. Entenda:

  • diferentes hormônios participam do ciclo menstrual, orientados pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovários (HHO). Logo no início, na primeira fase, o hipotálamo secreta o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), estimulando a hipófise a liberar as gonadotrofinas FSH (hormônio folículo-estimulante) e LH (hormônio luteinizante), que viajam pela corrente sanguínea até os ovários. O FSH promove o recrutamento de vários folículos ovarianos, que contêm o óvulo imaturo, enquanto o LH atua no desenvolvimento, amadurecimento e ruptura do que se destaca entre eles e vai liberar seu óvulo na ovulação para ser fecundado pelo espermatozoide;
  • os níveis elevados de prolactina que ocorrem com a amamentação inibem a secreção do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) pelo hipotálamo, interferindo, dessa forma, na liberação das gonadotrofinas pela hipófise. Assim, a ovulação não acontece.

Contudo, a eficácia do LAM depende da intensidade e frequência da amamentação e da adição ou não de alimentos complementares à dieta do bebê; há mais proteção quando a amamentação é a forma exclusiva de alimentação nos primeiros 6 meses pós-parto, com adição de suplementação alimentar de no máximo 5% a 10% do total das mamadas.

Os percentuais de proteção, nesse caso, se comparam aos de outros métodos contraceptivos como a pílula, cerca de 99%. Após 6 meses, entretanto, ou com a retomada da menstruação as chances de ovulação e o risco de gravidez são maiores, o que torna o LAM um método de contracepção transicional e mais adequado para mulheres que planejam amamentar totalmente por pelo menos 6 meses.

Quando a amamentação é interrompida os níveis de prolactina diminuem e a menstruação geralmente acontece entre 14 dias e 30 dias depois. Nos casos em que a usuária de LAM menstrua antes de seis meses ou se decidir complementar a amamentação, normalmente é sugerido também o uso de outro método de contracepção no pós-parto.

Métodos não hormonais, como os de barreira, as camisinhas femininas ou masculinas e o dispositivo intrauterino de cobre (DIU), bem como os hormonais que utilizam apenas progestagênios em sua composição, que não comprometem a amamentação, estão entre as opções.

Mulheres que não pretendem amamentar, por outro lado, podem recorrer a anticoncepcionais hormonais combinados, como as pílulas com estrogênio e progesterona, mais frequentemente utilizadas.

As opções de contracepção no pós-parto devem idealmente ser avaliadas junto ao ginecologista-obstetra ainda durante o último trimestre da gravidez. Quando isso não acontece, na primeira consulta após o nascimento do bebê.

Siga o link, saiba mais sobre a contracepção no pós-parto e quais métodos contraceptivos podem ser utilizados!

Pré-obesidade durante a gestação: saiba mais sobre esse importante assunto

Considerada uma doença, a obesidade se tornou um problema de saúde pública mundial. Isso porque a prevalência triplicou nas últimas três décadas em praticamente todos os países, o que é justificado pelos hábitos das sociedades atuais, incluindo o sedentarismo e o aumento do consumo de alimentos processados ​​com alto teor calórico. 

A obesidade tem efeitos negativos em quase todas as funções fisiológicas do corpo e um grande impacto na morbidade e mortalidade ao longo da vida, uma vez que está associada a outras condições como o diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. 

A prevalência da obesidade em mulheres em idade reprodutiva é igualmente observada no mundo todo, inclusive no Brasil. Nesse caso, a doença pode causar redução na fertilidade e aumentar o tempo necessário para conceber, além do risco de desenvolver outras condições e de resultados adversos para mãe e filho se a mulher engravidar. 

Esses impactos na fertilidade também ocorrem se o quadro for de pré-obesidade ou sobrepeso e, da mesma forma, em uma possível gestação. A manutenção saudável do peso antes e durante o período gestacional, portanto, é necessária para garantir bons resultados. 

Continue a leitura do texto até o final, saiba tudo sobre pré-obesidade durante a gestação e as possíveis consequências quando a condição não é adequadamente controlada. Confira!

O que é pré-obesidade?

Pré-obesidade ou sobrepeso e obesidade são definidos como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura que pode prejudicar a saúde. O padrão internacional utilizado clinicamente para avaliar a composição corpórea é o IMC (índice de massa corporal), que indica se o peso está acima do ideal a partir da relação peso/altura: o peso, em quilograma (Kg) é dividido pela altura ao quadrado (m2).

A pré-obesidade é classificada quando o IMC está entre 25 kg/m2 e 29,9 kg/m2. Durante a idade reprodutiva esse sobrepeso dificulta a ovulação, liberação do óvulo nos ciclos menstruais. Dificuldade, que é proporcional ao IMC, ou seja, quanto maior menores as chances de o óvulo ser liberado, impedindo a fecundação. 

Por outro lado, a classificação da obesidade considera um IMC de 30 kg/m2 ou superior, isso significa que mulheres com pré-obesidade podem facilmente se tornar obesas. O excesso de peso ou obesidade durante a gestação influencia fortemente não apenas as complicações metabólicas, porém também as consequências perinatais adversas. 

Pré-obesidade durante a gestação

Durante a gestação ocorrem diversas mudanças fisiológicas no corpo feminino, em vários sistemas. O peso naturalmente aumenta para suprir as necessidades energéticas maternas e do feto. No entanto, ainda que o ganho de peso gestacional seja necessário para garantir um feto saudável, o ganho inadequado está associado a resultados adversos. 

A obesidade materna durante a gestação também é considerada um problema de saúde pública. Para se ter uma ideia, segundo estudos as taxas de prevalência são de aproximadamente 30% nos países ocidentais. O ganho excessivo de peso durante o período registra percentuais ainda maiores, de 40% ou mais. 

Entre os problemas que o aumento de peso durante a gestação pode provocar estão o diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, transtornos emocionais como depressão e ansiedade, parto cesáreo, parto prematuro, baixo peso ao nascer, bebê natimorto e macrossomia. 

Assim, mulheres grávidas obesas têm maior probabilidade de parto de bebês grandes ou pequenos para a idade gestacional, parto prematuro espontâneo ou por indicação médica, bebês nascidos mortos, bem como é mais alto o risco de ocorrerem malformações fetais congênitas. Já a pré-eclâmpsia, aumento da pressão arterial, pode evoluir para a eclâmpsia, associada à morbidade e mortalidade materna.

Também podem ter perda precoce da gestação, dificuldades durante o trabalho de parto e correm maior risco de hemorragia no puerpério ou pós-parto. 

Por isso, mulheres grávidas diagnosticadas com pré-obesidade devem seguir uma dieta rigorosa durante o período gestacional, bem como outras orientações do ginecologista-obstetra responsável pelo acompanhamento pré-natal. 

Além disso, o impacto em longo prazo da obesidade materna e do ganho excessivo de peso durante a gestação na adiposidade e nos resultados de saúde relacionados com o sistema cardiovascular e metabólico pode levar a outras complicações tardias, depois do nascimento, incluindo o diabetes gestacional e pré-eclâmpsia, ambas associadas a morbidades pós-parto. 

A saúde da próxima geração pode igualmente ser comprometida. É comum que os filhos de mulheres com obesidade durante a gestação desenvolvam a doença na infância ou mesmo na idade adulta e, dessa forma, o diabetes tipo 2 ou doenças cardiovasculares.

Todos esses problemas, entretanto, podem ser evitados com o acompanhamento pré-natal adequado. É recomendado, inclusive, que mulheres com pré-obesidade que pretendem engravidar o façam a partir de um planejamento adequado, iniciando o acompanhamento com o especialista nos meses anteriores às tentativas, o que é chamado de consulta preconcepcional.

Dessa forma, é possível assegurar que o processo gestacional ocorra sem nenhuma intercorrência, que o feto se desenvolva de forma saudável e o futuro bebê não tenha a saúde comprometida. 

Quer saber mais sobre pré-obesidade durante a gestação? Toque aqui!

 

Como escolher o melhor anticoncepcional para você?

O anticoncepcional, conhecido ainda como contraceptivo, é um método que têm como objetivo evitar uma gravidez indesejada, o que geralmente acontece a partir da inibição de duas etapas importantes do ciclo menstrual:

  • fecundação, encontro entre os gametas, óvulo e espermatozoide para gerar a primeira célula do embrião, estágio inicial de desenvolvimento do futuro ser humano;
  • implantação embrionária, processo em que o embrião se implanta na camada interna do útero, o endométrio, para dar início a gravidez.

A pílula anticoncepcional é o mais popular e utilizado no mundo todo. É considerada um dos avanços socialmente mais significativos da medicina nas últimas décadas por ter possibilitado o planejamento da gravidez, característica que a tornou um dos principais símbolos dos movimentos feministas na década de 1960, uma vez que representava uma evolução na liberdade reprodutiva das mulheres.

Atualmente, entretanto, os percentuais de eficácia são bem mais expressivos, quase 100%, assim como uma diversidade de métodos anticoncepcionais está disponível; dos hormonais ou não hormonais aos reversíveis de longa duração ou permanentes e os usados como contracepção de emergência.

Além da pílula anticoncepcional, a lista inclui os dispositivos intrauterinos (DIUs), implantes, adesivos, injetáveis, anéis vaginais, preservativos e a esterilização masculina ou feminina. Apesar de toda essa diversidade, entretanto, é necessário considerar diferentes fatores antes de escolher o anticoncepcional mais adequado.

Mostramos, neste texto, como escolher o melhor anticoncepcional para você. Continue a leitura até o final e confira!

Entenda como é feita a prescrição do melhor anticoncepcional para a paciente

Entre os fatores considerados para escolher o melhor anticoncepcional para a paciente estão o tempo de interrupção da fertilidade, ou seja, quando ela planeja engravidar; questões de saúde que podem impedir o uso de determinadas substâncias, como os hormônios, bem como segurança, eficácia, disponibilidade, acessibilidade e aceitabilidade.

Em certos lugares, por exemplo, apenas alguns tipos estão disponíveis, são mais acessíveis ou distribuídos gratuitamente pelos órgãos de saúde. A aceitabilidade, por outro lado, está relacionada a questões como a opção religiosa, pessoal, do parceiro ou dos familiares.

Antes de fazer a escolha, o ginecologista pode solicitar ainda diferentes exames para verificar a saúde os órgãos reprodutores. Os resultados diagnósticos também interferem na definição do tipo mais adequado.

Conheça, abaixo, os principais métodos anticoncepcionais disponíveis atualmente e as características de cada um:

Anticoncepcional de barreira

O anticoncepcional de barreira, como o nome sugere, tem como objetivo impedir a entrada dos espermatozoides na vagina, que posteriormente nadam até as tubas uterinas, órgãos que abrigam a fecundação.

Além disso, são a única forma de impedir a contaminação por ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) como a clamídia e gonorreia, que se tornaram novamente disseminadas nas sociedades contemporâneas, tendo seu uso, portanto, recomendado em todas as relações sexuais. Os mais conhecidos são os preservativos masculino e feminino, as famosas camisinhas.

No entanto, são os que apresentam menor eficácia, com percentuais de falha que variam de 13% a 27% de acordo com o tipo, o que sugere que seu uso deve sempre ser associado a outro anticoncepcional.

As mulheres podem contar ainda com o diafragma e com a esponja contraceptiva, embora esse último represente o percentual mais alto de falhas, 27%.

Anticoncepcional hormonal

O anticoncepcional hormonal utiliza os hormônios sexuais femininos estrogênio e progesterona para prevenir a gravidez, isoladamente ou combinados. A pílula anticoncepcional, que lidera o ranking, por exemplo, tem a versão combinada ou só com progesterona.

Os percentuais de falhas desses métodos, por sua vez, são bastante baixos, variam de 0, 1%, como no caso das pílulas, a 7%.

Os outros incluem:

  • implante: um dispositivo inserido sob a pele do braço, que libera durante três anos, diariamente, progesterona no organismo. Os percentuais de falha também são de 0,1%;
  • injeção de progesterona: é aplicada nas nádegas ou no braço a cada três meses. Os percentuais de falhas são de 4%;
  • adesivo: é usado na parte inferior do abdômen, nádegas ou parte superior do corpo e libera progesterona e estrogênio. Deve ser substituído semanalmente e tem até 7% de chances de falhar;
  • anel contraceptivo vaginal: inserido dentro da vagina, libera progesterona e estrogênio. Pode ser usado por três semanas e deve ser substituído logo após a menstruação. Os percentuais de falha são de 7%.

Anticoncepcional reversível de ação prolongada

Os métodos reversíveis de ação prolongada são os dispositivos intrauterinos (DIUs), que por essa qualidade também são amplamente utilizados no mundo todo.

Existem dois tipos de DIU, o hormonal e o de cobre, que são inseridos no útero. O DIU hormonal libera diariamente progesterona, tem duração de até 6 anos e pode ser removido a qualquer momento que a mulher desejar engravidar. Os percentuais de falha variam entre 0,1% e 0,4%.

O DIU de cobre, por sua vez, é revestido por esse elemento, tóxico para os espermatozoides liberado diariamente em pequenas quantidades, impedindo sua sobrevida ou motilidade, capacidade de movimento no organismo feminino. Pode durar aproximadamente 10 anos, com percentuais de falha de 0,8%.

Anticoncepcional de emergência

Esse tipo de anticoncepcional deve ser usado apenas em situações emergenciais, ou seja, não é um método regular de controle de natalidade. O uso é recomendado quando outros métodos falham, como o rompimento dos preservativos, ou em situações que o sexo é praticado à força, sem proteção.

Dois métodos podem ser usados com esse objetivo, a pílula do dia seguinte e o DIU de cobre, que pode ser inserido até cinco dias após a relação sexual desprotegida.

Quando não há mais o desejo de ter filhos, mulheres e homens podem recorrer ainda à contracepção permanente, a esterilização. O procedimento feminino é denominado laqueadura e, o masculino, vasectomia.

Já as mulheres que estão amamentando podem contar com o método anticoncepcional de amenorreia lactacional (LAM) durante os seis meses posteriores ao nascimento, que utiliza a amamentação exclusiva para prevenir nova gravidez.

Nas situações em que não há a possibilidade de utilizar nenhum anticoncepcional, por outro, o método baseado na consciência da fertilidade pode ser aplicado, como a observação de sinais manifestados pelo corpo durante o período fértil, ou sua identificação por cálculos específicos. Porém, os percentuais de falhas são altos, de até 23%, por isso, não é aconselhada a prática sexual durante esse intervalo.

Existem, portanto, diferentes formas de se evitar uma gravidez indesejada e apenas o ginecologista pode orientar sobre o anticoncepcional mais adequado para cada mulher.

Toque aqui e fique ainda mais informada sobre os tipos de anticoncepcional e a ação de cada um!

Qual é a importância do ginecologista no puerpério?

A gravidez é marcada por diferentes transformações fisiológicas no corpo feminino, necessárias para proporcionar o desenvolvimento saudável do futuro bebê e preparar-se para o parto. As consultas de pré-natal são fundamentais durante todo o período, pois permitem definir ou detectar precocemente diferentes condições que podem afetar a mãe ou o feto em crescimento, evitando e/ou minimizando possíveis riscos para ambos.

É durante o pré-natal que o ginecologista-obstetra monitora a saúde materno-fetal, realiza exames e garante que a gestação está dentro dos parâmetros normais. Esses cuidados, entretanto, não se resumem apenas aos três trimestres da gravidez. Na ocasião, deve ser ainda idealmente elaborado um plano de cuidados para o puerpério, período após o nascimento do bebê, quando as alterações fisiológicas e anatômicas maternas retornam ao estado não grávido.

Porém, embora a maioria das mulheres grávidas ou em tentativa de engravidar saibam sobre a importância do pré-natal, boa parte desconhece a do ginecologista no puerpério, que pode apresentar desafios consideráveis ​​para as mulheres.

Continue a leitura ado texto até o final e entenda qual é a importância do ginecologista no puerpério. Confira!

Importância do ginecologista no puerpério

O puerpério se inicia após a expulsão da placenta e dura até a completa recuperação fisiológica dos sistemas orgânicos. É dividido em três fases, puerpério imediato, que ocorre nas primeiras 24 horas depois da expulsão da placenta, remoto, até 7 dias depois e tardio, nas 6 semanas posteriores ou mais.

As semanas após o nascimento são essenciais para recuperação materna e para seu bebê e vão determinar a saúde de ambos no futuro. Por isso, os principais órgãos de saúde mundiais sugerem que os cuidados no puerpério devem ocorrer durante todo o período e não se resumirem a uma única consulta, independentemente do tempo de duração, de acordo com as necessidades individuais de cada mulher.

O puerpério imediato ocorre mais frequentemente em ambiente hospitalar, uma vez que a maioria das mulheres permanece internada por pelo menos 24h, quando estão se recuperando do parto e começando a cuidar do recém-nascido.

Nesse período, o ginecologista-obstetra vai monitorar possíveis perdas de sangue, sinais de infecção, pressão arterial, contração do útero e capacidade de urinar. O objetivo é garantir a estabilidade da mãe e orientá-la nos cuidados com o bebê.

Há também atenção à compatibilidade Rh, imunização materna e amamentação. A incompatibilidade Rh ocorre quando uma mulher grávida tem sangue Rh negativo e o feto Rh positivo. Pode resultar na destruição dos glóbulos vermelhos fetais, algumas vezes causando anemia grave.

Para prevenir problemas no feto, os médicos administram injeções de anticorpos Rh em mulheres com sangue Rh negativo por volta da 28ª semana de gravidez, após qualquer episódio de sangramento significativo e no puerpério, evitando, assim, a produção de anticorpos pela mãe, que oferecem risco para gestações subsequentes.

A visita ao consultório do ginecologista durante o puerpério, por sua vez, deve ocorrer nas primeiras 3 semanas após o parto. Essa avaliação é seguida de cuidados contínuos conforme necessário, concluindo com uma consulta pós-parto mais abrangente, até no máximo 12 semanas depois do nascimento, com uma avaliação completa do bem-estar físico, social e psicológico, incluindo os seguintes aspectos:

  • humor e bem-estar emocional;
  • cuidados com os seios;
  • alimentação materna e infantil;
  • sexualidade;
  • contracepção;
  • sono e fadiga;
  • recuperação física desde o nascimento;
  • gestão de doenças crónicas;
  • prática de exercícios e manutenção da saúde.

Mulheres com condições médicas crônicas, por outro lado, como hipertensão, obesidade, diabetes, distúrbios da tireoide, doenças renais, transtornos de humor, bem como as que tiveram complicações durante a gravidez, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia, geralmente têm um cronograma de consultas especialmente adequado, com um acompanhamento mais criterioso.

Algumas alterações físicas e sintomas são comuns no puerpério, porém normalmente são leves e temporários. Problemas graves de saúde são mais raros, embora possam ocorrer.

Complicações que podem surgir no puerpério

Veja abaixo as complicações mais comuns após o parto:

Sangramento excessivo ou hemorragia pós-parto

É comum que a mulher perca cerca de meio litro de sangue durante e após o parto vaginal e duas vezes mais após o nascimento por cesariana. A perda é considerada excessiva quando mais de 2 litros são perdidos e/ou a mulher apresenta sintomas como pressão arterial baixa, frequência cardíaca acelerada, tontura, desmaio, fadiga e fraqueza. Geralmente, ocorre logo após o parto, porém o período de risco é de até 30 dias.

A causa mais frequente de hemorragia no puerpério é a ausência de contração uterina, ainda que outras situações relacionadas ao parto possam igualmente resultar no problema.

Infecções uterinas

Após o parto, as bactérias naturalmente presentes na vagina podem ascender ao útero e causar endometrite, inflamação do endométrio, camada de revestimento interno; miometrite, do miométrio, camada intermediária muscular e parametrite, quando afeta as áreas ao redor do órgão. Na maioria das vezes essas infecções são consequência do trabalho de parto prolongado.

Se não forem adequadamente tratadas, podem causar danos à fertilidade no futuro.

Infecções da bexiga e dos rins

Ocasionalmente, também pode ocorrer a infecção/inflamação da bexiga no puerpério, condição denominada cistite e as bactérias se espalharem resultando em uma infecção renal, pielonefrite. O risco de cistite é maior nos casos em que um cateter é inserido na bexiga para aliviar o acúmulo de urina durante e após o parto.

Infecção mamária

A infecção mamária ou mastite geralmente acontece nas primeiras 6 semanas e quase sempre em mulheres que estão amamentando. Se o bebê não estiver posicionado corretamente durante a amamentação podem ocorrer rachaduras facilitando a entrada das bactérias presentes na pele nos dutos de leite, causando o problema. O tratamento inadequado pode levar à formação de abscessos no local .

Problemas com a amamentação

Entre os problemas mais frequentes causados pela amamentação no puerpério estão o ingurgitamento mamário, mamilos doloridos, ductos de leite obstruídos.

O ingurgitamento mamário surge em decorrência da retenção e acúmulo de leite. Esse leite acumulado torna-se mais viscoso que o normal, por isso é chamado popularmente de leite empedrado. Essa situação frequentemente é acompanhada de dor.

Os mamilos doloridos, por sua vez, são consequência do posicionamento inadequado do bebê durante a amamentação, que contrai o lábio para sugar, irritando-os. Já a obstrução dos ductos ocorre quando o leite não é completamente drenado regularmente causando nódulos na região. A amamentação contínua é a melhor maneira de solucionar o problema.

Depressão

A tristeza (baby blues) é comum no puerpério. As mulheres também podem sentir-se irritadas, mal-humoradas ou ansiosas, podem ter dificuldades de concentração ou problemas no ciclo de sono. Esses sintomas geralmente desaparecem entre 7 e 10 dias. No entanto, se persistirem por mais de 2 semanas, interferirem nos cuidados com o bebê ou nas atividades diárias o quadro pode ser de depressão pós-parto ou outro distúrbio de saúde mental e deve ser adequadamente tratado.

Além dessas complicações, outras, mais raras, também podem surgir, incluindo:

Útero invertido

O útero vira do lado avesso de modo a se projetar pelo colo uterino e para dentro ou através a vagina. Isso pode acontecer se a placenta estiver firmemente conectada e for necessária muita força para removê-la.

A inversão do útero é uma emergência médica que deve ser tratada rapidamente. Os médicos costumam recolocar o útero na sua posição normal manualmente, porém em alguns casos a cirurgia pode ser necessária.

Embolia por líquido amniótico

Apesar de a embolia por líquido amniótico (ELA) ser rara, pode ser fatal. É caracterizada pela entrada de componentes do líquido amniótico (LA) na circulação materna, o que causa uma reação grave resultando em parada respiratória ou cardíaca.

Para evitar possíveis complicações no puerpério e garantir a saúde da mãe e seu bebê, portanto, é essencial consultar um ginecologista após o nascimento e manter a regularidade das consultas sugeridas por ele.

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