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O que é diabetes gestacional e o que fazer?

As mulheres em tentativa de engravidar já sabem a importância dos cuidados pré-natais para uma gestação saudável. Eles são necessários, por exemplo, para identificar e tratar possíveis complicações, bem como orientar comportamentos que vão garantir a saúde da mãe e de seu futuro bebê.

Complicações estão associadas à mãe e/ou ao feto. São consequência do próprio estado gestacional e de quadros clínicos comuns em mulheres grávidas ou mesmo anteriores, como as doenças crônicas. Entre elas, podem-se citar o abortamento espontâneo, parto pré-termo, ruptura prematura das membranas, nascimento prematuro, feto natimorto, baixo peso ao nascer, macrossomia e malformações congênitas.

Podem acontecer em qualquer etapa da gravidez, durante o trabalho de parto ou no pós-parto, causadas por diferentes condições, incluindo o diabetes gestacional, que, embora seja uma das principais preocupações das mulheres grávidas, pode ser evitado e/ou controlado na maioria dos casos.

Mostramos, neste texto, tudo sobre o diabetes gestacional e o que fazer quando há esse diagnóstico. Continue a leitura até o final e confira!

Diabetes gestacional

O diabetes mellitus é uma doença causada pela produção insuficiente ou absorção inadequada de insulina, hormônio que regula a glicose (açúcar) no sangue transformando-a em energia para manutenção das células do nosso organismo. Existem diferentes tipos: 1, 2 e o diabetes gestacional. No primeiro caso, ocorre a redução ou falta de produção de insulina, enquanto no segundo o organismo desenvolve uma resistência à ação do hormônio.

O diabetes gestacional, por sua vez, ocorre quando os hormônios placentários interferem na capacidade do corpo de regular os níveis de glicose no sangue.

Ou seja, não é provocado pela falta de insulina, como acontece no tipo 1, porém por outros hormônios produzidos durante a gravidez que podem torná-la menos eficaz, levando, como acontece no tipo 2, ao desenvolvimento de uma condição conhecida como resistência à insulina (RI). Assim, a glicose se acumula no sangue em vez de ser absorvida pelas células.

Esse tipo de diabetes afeta entre 2% e 4% de todas as gestantes. Uma das consequências é o risco aumentado, para a mãe e seu bebê, do desenvolvimento posterior do diabetes tipo 2.

Além disso, a exposição do feto a grandes quantidades de glicose durante o crescimento intrauterino aumenta as chances de macrossomia, recém-nascido com peso igual ou superior a 4 kg, independentemente da idade gestacional, o que dificulta a passagem pelo canal vaginal, tornando maior a possibilidade de ocorrerem lesões. Por isso, o parto de mulheres com diabetes gestacional geralmente é feito por cesariana.

O nascimento prematuro está ainda entre os possíveis riscos; bebês prematuros de mães com diabetes gestacional podem desenvolver uma condição denominada síndrome do desconforto respiratório, que dificulta a respiração, ou mesmo hipoglicemia, situação contrária ao diabetes caracterizada por baixos níveis de glicose no sangue que, em quadros graves, pode provocar convulsões no bebê.

Por outro lado, o diabetes gestacional não tratado pode levar à morte do bebê antes ou logo após o nascimento (natimorto) e aumenta o risco de pressão alta, fator de risco para pré-eclâmpsia, uma complicação da gravidez potencialmente perigosa para a mãe e seu filho.

Durante o pré-natal, entretanto, alterações nos níveis de glicose no sangue podem ser detectadas por diferentes testes, que indicam se há tendência ou diagnosticam o diabetes gestacional, permitindo adotar medidas para prevenir ou controlar o quadro, evitando, dessa forma, possíveis complicações.

A glicemia de jejum, por exemplo, teste realizado no primeiro trimestre da gravidez, avalia se há tendência, enquanto o teste de tolerância à glicose, realizado entre a 24ª e a 28ª semana, quando é mais comum surgir o problema, permite a confirmação, bem como é utilizado para acompanhamento.

O que fazer quando o diagnóstico é de diabetes gestacional?

Qualquer conduta terapêutica durante o período gestacional deve ser determinada pelo ginecologista-obstetra responsável pelo acompanhamento da mulher. Uma das medidas que pode ser adotada é a de uma dieta balanceada, essencial, inclusive, para o desenvolvimento saudável da gravidez e do feto, o que significa que deve ser praticada independentemente do risco de diabetes gestacional.

O monitoramento periódico do crescimento do bebê, feito por exames de ultrassonografia realizados durante o pré-natal, é igualmente importante.

Por outro lado, embora os níveis de glicose geralmente normalizem logo após o nascimento na maioria dos casos, isso deve ser confirmado por testes solicitados pelo especialista, que vai orientar a periodicidade e intervalo para serem realizados.

Obesidade, sedentarismo, diabetes gestacional anterior ou pré-diabetes, síndrome dos ovários policísticos (SOP), histórico familiar e bebês de gestações anteriores nascidos com peso superior a 4kg são listado como fatores de risco para o desenvolvimento dessa condição.

Mulheres já diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou 2, por sua vez, precisam relatar a doença na primeira consulta do pré-natal ou consulta pré-concepcional, que deve idealmente ser feita quando há intenção de engravidar.

A maioria das mulheres com diabetes gestacional normalmente são assintomáticas, entretanto sede e micção frequente, sintomas comuns quando há possíveis alterações nos níveis de glicose, podem ajudar a identificar o problema.

Porém, a única forma eficaz para evitar ou controlar essas e outras condições que podem surgir durante a gestação é o acompanhamento adequado durante o pré-natal.

Siga o link para aprofundar o conhecimento sobre o diabetes gestacional!

O que toda gestante deveria saber sobre o pré-natal?

A gestação é um período delicado na vida da mulher e que necessita de um preparo adequado para manter a saúde materna e favorecer o desenvolvimento do bebê. Para isso, é preciso contar com atenção médica frequente e passar por vários procedimentos que ajudam a monitorar o bem-estar da mãe e do feto. É nesse contexto que surge a importância do pré-natal.

A fisiologia gestacional desencadeia várias alterações no corpo da mulher, aumentando funções em diferentes sistemas. Com a sobrecarga do estado gravídico, a gestante precisa de cuidados especiais, assim como fica mais suscetível a determinados problemas — por exemplo, o aumento da pressão arterial e o desenvolvimento de diabetes gestacional.

O ginecologista obstetra é o médico responsável por acompanhar a gestante, monitorar sua saúde, fornecer orientações gerais sobre gravidez e estilo de vida, além de solicitar exames. Tudo isso é essencial na prevenção de complicações gestacionais.

Siga em frente com sua leitura e saiba mais sobre a realização do pré-natal!

O que é pré-natal e quando deve ser iniciado?

O pré-natal é o acompanhamento recomendado a todas as mulheres durante a gravidez. É um direito da mulher, endossado pelo Ministério da Saúde e demais órgãos reguladores e associações médicas.

O Ministério da Saúde orienta que sejam realizadas, pelo menos, 6 consultas pré-natais no decorrer da gravidez. Quando identificados fatores para uma gestação de alto risco, o ginecologista responsável pode prever um acompanhamento mais frequente e/ou aliado à avaliação de profissionais de outras especialidades.

Recomenda-se que o pré-natal tenha início logo após a confirmação da gravidez. Nesse primeiro encontro, o obstetra colhe informações sobre a data da última menstruação e estabelece uma data provável para o parto. Além disso, a paciente recebe orientações sobre adoção de hábitos saudáveis e indicação para exames.

Outros procedimentos médicos que podem ser realizados na consulta pré-natal incluem exame ginecológico, aferição da pressão arterial, pesagem da gestante e, quando indicada, a ausculta do batimento cardíaco fetal.

Quanto à periodicidade das consultas, o segundo encontro com o obstetra acontece quando a gestante recebe os resultados dos primeiros exames laboratoriais. A partir disso, o acompanhamento é mensal. Após o sétimo mês gestacional, as consultas podem se tornar quinzenais e, no último mês, semanais.

Qual é a importância do acompanhamento pré-natal?

O pré-natal é importante para cuidar da saúde da mulher, visto que a gravidez impõe muitas alterações fisiológicas, bem como para promover o desenvolvimento saudável do bebê que vai nascer.

Com essa atenção médica frequente, além de tornar a gestação um período mais tranquilo, a incidência de intercorrências obstétricas diminui. Por outro lado, a falta do acompanhamento pré-natal está associada a índices mais altos de abortamento, parto prematuro, mortes perinatais e natimortos.

Ao longo do pré-natal, é possível:

  • diagnosticar condições clínicas preexistentes, como hipertensão arterial, diabetes, infecções e disfunções da tireoide;
  • identificar precocemente fatores de risco que possam levar a complicações obstétricas;
  • acompanhar o desenvolvimento morfológico fetal e detectar problemas, como malformações ou restrição do crescimento intrauterino;
  • monitorar com rigor doenças que possam levar a desfechos desfavoráveis na gestação, como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e placenta prévia.

O pré-natal é importante não somente para abordar os fatores físicos, mas também para acolher as dúvidas da gestante em todos os aspectos. O estado emocional, por exemplo, passa por alterações significativas durante a gravidez, tanto pelos níveis aumentados de hormônios, que deixam a mulher mais sensível, quanto pela ansiedade e expectativa em relação à nova vida.

Outro ponto relevante do acompanhamento obstétrico é trabalhar o aspecto educativo. Vale a pena aproveitar os encontros para conversar sobre os tipos de parto, a preparação para o nascimento da criança, os benefícios do aleitamento materno etc.

Quais são as principais recomendações médicas feitas no pré-natal?

O ginecologista obstetra solicita exames, avalia os resultados e intervém conforme necessário para melhorar as condições de saúde da gestante. Entre os exames realizados está o ultrassom obstétrico, fundamental para confirmar e datar a gestação e acompanhar o desenvolvimento morfológico do feto e identificar precocemente malformações e até alguns tipos de síndromes. O ultrassom também permite que a mãe veja alguns movimentos de seu bebê.

Entre as principais orientações médicas estão as mudanças no estilo de vida. A nutrição é um dos aspectos que mais necessitam de atenção na gravidez. A mulher não deve “comer por dois”, mas precisa receber nutrientes em quantidade suficiente para suprir os dois organismos. Isso não reflete a quantidade, mas sim a qualidade dos alimentos.

Nem sempre é possível receber níveis adequados de nutrientes somente com uma alimentação balanceada. Sendo assim, o obstetra também avalia o perfil nutricional da paciente e os resultados dos exames laboratoriais e, se necessário, prescreve suplementação vitamínica. O ácido fólico, por exemplo, é comumente recomendado no início da gestação e até no período preconcepcional, para mulheres que procuram o médico antes de engravidar.

Outras recomendações acerca do estilo de vida incluem a prática de atividade física regular, moderada e com baixa impacto. Mulheres tabagistas também são aconselhadas a parar de fumar. Da mesma forma, o consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias químicas não é seguro para a criança e está contraindicado seu uso.

O pré-natal também viabiliza a preparação da gestante para identificar os sinais de parto e saber como proceder nesse momento. Assim, com assistência médica do início ao fim da gestação, os riscos de intercorrências são mínimos. Tanto a mãe quanto o bebê encerram o período gestacional com saúde e segurança.

Confira também nosso texto principal sobre a importância do acompanhamento pré-natal!